18 de outubro de 2008

Quem quer asfalto?

A aceitação pública e inquestionável de alguns tópicos na campanha para prefeito da Ilha dos Aterros me impressiona. Aonde foi parar (se é que existiu um dia) o senso crítico e a capacidade de debater os problemas essenciais de uma cidade que se afunda diariamente? Os dois candidatos, no segundo turno, disputam não um cargo público para planejar o futuro de uma cidade visivelmente a caminho do caos urbano, mas uma corrida sobre quem é capaz de fazer ou já fez mais obras.

Será que ficaremos o resto de nossas vidas achando que o melhor prefeito será o que faz ou fez mais obras? Pelo jeito, e pela vontade da população, infelizmente parece que sim. Nessa semana, a divulgação de uma pesquisa feita pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância, pelo Ministério da Educação e pela União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação, conclui que investir em educação não dá voto a ninguém. A turma gosta mesmo é de asfalto.

Já era notório o fato de que investir em cultura nunca deu voto a ninguém. O atual prefeito, que se comprometeu diante de produtores e artistas criar um fundo municipal de cultura e editais públicos de apoio à cultura, sequer abriu as portas da Fundação Franklin Cascaes para iniciar um debate sobre isso. Aliás, na semana em que se comemora o centenário de Franklin Cascaes, tanto a prefeitura quanto o governo do Estado não moveram um dedo para comemorar à altura do folclorista. Agora está explicado. Se investir em educação ninguém dá a menor bola, quanto menos voto, porque o prefeito perderia seu tempo com cultura?

O negócio é pichar toda a cidade, no sentido menos subversivo da palavra, e mais burro dela, que é o de passar piche em todas as ruas, praças, jardins e, claro, na cabeça dos eleitores, já que pouco se importam com isso. Se continuarmos nesse ritmo, teremos que pedir permissão à Claudinha Barbosa, filha do Zininho, pra mudar o começo do hino da cidade. Cantaremos, no futuro: "Um pedacinho de asfalto perdido no mar", porque terra de verdade, só no vasinho de manjericão na soleira da minha janela.

Um comentário:

Neide disse...

Educação, informação, disseminação d nossa maravilhosa e relegada cultura,prá quê,se a rua, não asfaltada, tá cheia d lama e o imbecil vai sujar os sapatos desistindo d ir ao cinema,ao teatro ou algum evento gratuito tornando-o mais imbecil ainda????? É, Fabinho, extremamente triste e preocupante a cabeça desses eleitores contumazes d Dários e Amins...