18 de julho de 2009

Um país irritante

Não tem nada que seja tão irritante quanto um político. Eles não se emendam nunca. São esquisitos, se vestem de forma esquisita, pintam os bigodes, chegam sempre atrasados, cumprimentam a quem não conhecem, tentam falar difícil e só se enrolam, misturam conceitos, adoram falar palavras abstratas, porque não sabem realizar ações concretas, enfim, são o fiasco da sociedade. Isso que nem estou entrando na questão mais profunda, mas que não temos acesso às provas, que é a corrupção epidêmica. Mais que a gripe A e a saúva (que desde Mário de Andrade já não nos perturba) o problema do Brasil está na corrupção.

Bom, talvez seja exagero da minha parte, além de inútil, porque nada vai mudar; ninguém vai deixar de querer ganhar o seu. Até mesmo porque não existe corrupção sem corruptos ou sem corruptores. Isso significa que já é cultural esse negócio. Ninguém, no fundo, quer mudar o jeitinho de como as coisas funcionam no Brasil.

O que mais espanta no caso de um mordomo trabalhar na casa de um político, um senador, ex-presidente, na casa da filha do cara, e ser pago por nós, com nosso parco dinheiro, não é o fato em si. Afinal, é da natureza do político brasileiro esse comportamento. O que mais irrita mesmo é que muita gente deveria estar sabendo faz muito tempo. Mas por que só agora abriu a boca? Todos, dos que sabiam, até quem cometeu o crime, fazem parte dessa cultura irritante do brasileiro.

Mas como transformar isso se somos parte de uma nação de analfabetos políticos? Não que a maioria tenha culpa total nessa cultura. Afinal, sem política pública inteligente e democrática para a educação e para a cultura, como querer que alguém vote com inteligência? Como defenestrar estes caras que ocuparam todos os poderes? Os executivos que não executam, legislativos que não legislam e judiciários que são os mais injustos de todos? Só mesmo com um choque profundo de educação política.

Como bem lembrou meu amigo Joca Wollf, citando Eça de Queiroz: “Os políticos e as fraldas devem ser mudados frequentemente e pela mesma razão”. Aliás, irritante mesmo é ouvir estes caras chamarem uns aos outros de vossa excelência.

2 comentários:

Cristiano Moreira disse...

oi fábio, o texto como sempre é pontual quer dizer é na mosca, se é que podemos utilizar o substantivo no singular tratando deste assunto, melhor ainda o fecho com a cita dita pelo joca (pra abusar do dissílabo). grande abraço.

Cláudia Tomazi disse...

Disseminar a palavra, pode ser um bom corretivo. Apenas, quem cala consente.