8 de agosto de 2009

Malabaristas de rua

Existe todo tipo de malabarista na rua. Os por opção, os porque não tem ocupação formal, os que pedem esmola, os que vendem flores, os que vendem jornais, os que carregam bandeira de partido (quase sempre porque precisam) e os que, como eu, adoram estar na rua, não fazer nada na rua., mas, do meu modo, me equilibrando na rua.

A medida da prefeitura de proibir alguém de estar na rua, fazendo o que quer que seja, é um atentado contra as liberdades individuais, e, por consequência, contra a democracia. Se o poder público quer mesmo resolver problemas urbanos, deve pensar primeiro nos problemas sociais. Depois, pensar num modo de criar uma infraestutura urbana na qual o uso do transporte público seja privilegiado em relação ao privado.

Além do mais, proibir um cidadão de se manifestar, seja ele de que forma for, é abrir uma brecha para o poder público proibir qualquer manifestação no futuro. Hoje são os malabaristas, amanhã os pedintes, depois de amanhã, caro cidadão, será sua vez de ser proibido, porque a ideia do poder público é sempre a de jogar para debaixo do tapete os problemas reais. No caso dessa cidade, com certeza, as mazelas urbanas não passam pela presença dos malabaristas nos sinais, mas sim pela crescente violência, pela ocupação irregular dos espaços públicos, pela destruição do patrimônio cultural e natural, enfim, pela falta de educação pública de qualidade.

Além de ser segregacionista, porque não pune outro tipo de manifestação (e os vendedores de flores, os pedintes, os vendedores de jornais, os que oferecem água?), a medida é totalmente inconstitucional, porque fere até a medula o direito de ir e vir de um cidadão, seja ele fazendo malabarismos, seja ele gritando fora Sarney ou seja ele dando vivas (como faço quando posso) ao passe livre.

Sou um malabarista de rua entre a multidão de automóveis e motocicletas, e exijo a imediata ocupação das ruas por pessoas no lugar dos automóveis cada vez mais homicidas. Eles já estão tomando nosso lugar nas calçadas. Nada mais justo que nós, malabaristas, ocupemos o lugar deles nas ruas, para exercermos nosso direito fundamental de viver nessa incrível arte de andar por um fio.

12 comentários:

Juliana Bassetti disse...

Supimpa!

Neide disse...

É isso aí, querido Sábio! Enquanto os (des)governantes dessa cidade discutem assuntos d pouquíssima relevância p a população numa manobra d desviar o foco d pontos mais importantes, vamos usando diversos malabarismos p viver nosso cotidiano d forma mais equilibrada(?). Beijos.
P.S.:sua foto anterior era mais bacana

loli disse...

a incrível arte de andar por um fio... adorei, pura poesia.

vinícius alves disse...

clap, clap, clap, fabinho

beijo do vini

Telma Scherer disse...

ouf, esse texto está lindo demais.

jean mafra em minúsculas disse...

assino em baixo, querido!

Anônimo disse...

ESTOU MARAVILHADA COM TANTAS OBRAS...

BEIJOS

Í.ta** disse...

é uma barbaridade mesmo o acontecido.

e teu texto é maravilhoso, sim.

abraço.

Augusto disse...

Tenho que confessar.
Conheci seu trabalho na escola e de inicio não levei tão a sério conhecer mais sobre suas obras.
Após um tempo, comecei a fazer um trabalho sobre você e de cara comecei a ler seu blog.
Nunca me senti tão absorvido por algum tipo de literatura que não fosse romance ou gibi como eu fiquei por seus textos.
O terceiro paragrafo me lembra muito Martin Niemöller. Deve ser por causa de algumas caracteristicas.
Seu texto revela. Não devemos ficar parados.
Gostei tanto de seu blog que já li vários dos conteudos dele.

Abraços

Augusto, Xanxerê SC

Bembi disse...

Sempre "super ótemo".
Coloquei teu blog na lista de favoritos do BEMBI. Espero não ter sido inadequada.
PS: me leva pra Biguaçu?

(adorei o passeio de vcs dois)

Anônimo disse...

Caro Fábio,
Até onde vai tua liberdade? Minha vó ensinou que acaba onde começa a minha. Sendo assim, o que seria de Floripa se todos decidíssemos fazer malabarismo nos sinais? A livre manifestação através do malabáris está longe de ser democracia. Pra mim, está mais para desordem. Aliás, grandes pensadores e pregadores da democracia escreveram livros criticando com veemência pedintes e "artistas" das esquinas e dos sinais. Muita poesia...para pouca realidade. Nada melhor...

vinícius alves disse...

pata que ma paráu,

em tudo que é lugar tem sempre um anônimo.
nunca tinha ouvido pergunta assim: "até onde vai tua liberdade?"; até onde ou aonde vai a tua "dita liberdade", anônimo? será que tua vovozinha tava certa (ou serta?). eu só queria saber quem são esses "grandes pensadores e pregradores da democracia que escreveram com VEEMÊNCIA" todas essas besteiras que tu dizes, ANÔNIMO; que tu ACREDITAS, anônimo. Tenho pena de ti e de toda essa gente que acredita em verdade, ANÔNIMO, que ainda fala em DESORDEM, anônimo, se vocês não sabem nem o que é ordem.. Aliás, quem é você, ANÔNIMO?, que não se digna a nem assinar o post e arrotar sentenças, ANÔNIMO? Você não sabe nem o que é ORDEM, anônimo. que dirá DESORDEM! Você não pode fazer malarismo nem em floripa nem em lugar nenhum porque, simplesmente, você nunca pensou nisso, você não sabe o que é fazer malabarismo (nem metaforicamente, aliás, você sabe o que é metáfora?), você (e nem ninguém) pode definir realidade. pra fim de conversa, cara, eu te aconselharia a ler uns livros do paulo leminski que se chama (ensaios e anseios crípticos, 1 e 2). depois de bem lidinho (e decorado) ocê venha falar com o fábio (e comigo, se quiser)

abraço do vinícius alves
(viniedi@gmail.com)