2 de outubro de 2010

No que não voto

Há 30 anos, quase bienalmente, saio de casa para votar. Amanhã farei o mesmo. Já militei a favor do voto nulo, até o ministro do STF, Marco Aurélio Melo, fazer uma interpretação a seu modo da lei eleitoral, afirmando que o voto nulo não vale nada mesmo, nem como protesto. O candidato será eleito, nas majoritárias, com 50% dos votos válidos mais um. Nessa conta, que julgo equivocada e antidemocrática, elege, como nas últimas eleições, um governador com bem menos de 30% dos cidadãos aptos a votar, porque as abstenções os votos em branco e os nulos alcançaram quase os mesmos 30%. É democrático, se levarmos em conta que é ideal eleger um governador por maioria? Não, claro que não.

Portanto, não voto em quem sequer citou a reforma política como prioridade. Não voto em quem sequer tocou na mais alta prioridade pública, que é a cultura. Afinal, o modo como nos comportamos no trânsito, o modo como pensamos sobre religião, homossexualismo, segurança pública, transporte público, aborto, educação, tudo isso depende do quanto temos capacidade de pensar dialeticamente. E isso, meus leitores, isso é cultura. E é bem por isso que os candidatos, por conta desse círculo vicioso em não investir em cultura para que ninguém reflita, sequer tocam no assunto. E, claro, porque não têm a mínima capacidade intelectual para pensar sobre isso, porque se tivessem não se fariam campanhas tão burras, não encheriam a cidade com cartazes horríveis, não ligariam o som tão alto como se tivessem vendendo batatas, com músicas tão medíocres quanto as que ousam fazer e tocar.

Não voto em quem se anuncia honesto, nem em que afirma dizer que trabalha. Oras, isso é condição sine qua non, caro candidato. Não voto em quem acredita que o progresso deve vir a qualquer custo, mesmo poluindo. Não voto em quem pensa em sucatear o patrimônio público. Não voto em quem acha que administrar uma cidade é o mesmo que administrar uma empresa. Sobra bem pouco, mas a quem interessar possa, aviso publicamente que não anularei meu voto.

Diário Catarinense, 2 de outubro de 2010

5 comentários:

Silvia Pavesi disse...

Muito bom. Parabéns

gilvas disse...

boa, fabio: se o cara precisa declarar algo tão básico quanto a honestidade, aí demonstra que não possui uma gota dela.

Anônimo disse...

em branco então... é pior ainda.
declaro meu voto:
pt saudações.

jean mafra em minúsculas disse...

dáx um banho, ô!!!

beijão.

Anônimo disse...

Homosexualismo não, sufixo ismo é doença. Por favor, homosexualidade. No mais, das um banho.