9 de outubro de 2010

Tiririca do Brasil

O cidadão Francisco Everardo Oliveira Silva, mais conhecido como Palhaço Tiririca, foi eleito como o deputado federal mais votado do País, com mais de um milhão de votos. No meio da semana, porém, o tribunal eleitoral de São Paulo questionou sua capacidade de ler e escrever. Quase todos os “letrados”, principalmente com manifestações nas redes sociais, acharam um absurdo a eleição do palhaço. Sim, é absurdo, mas quem menos culpa tem nesse processo é o próprio deputado eleito.

Primeiro, porque foi a campanha mais honesta que eu já vi. Se fizermos uma pesquisa rápida, ainda que empírica, entre todos os candidatos, incluindo aí alguns eleitos, perguntando aos mesmos se sabem o que faz um deputado federal, será enorme o número de respostas afirmando desconhecer a tarefa. Tiririca, pelo menos, teve a honestidade de dizer que não sabia. Quem votou nele, portanto, sabia muito bem disso. E os que votaram nos candidatos que não sabem, mas não falaram nada? Honesto, também, porque disse em alto e bom tom que, se eleito, ajudaria muita gente, a começar por ele mesmo e sua família. Do mesmo jeito, quantos não pensam dessa forma, porém não falam?

Seus detratores, infelizmente, são incapazes de criticar os partidos políticos, os magistrados e a elite que, por mais letrada que seja, não consegue se mobilizar para sequer propor uma reforma política que iniba esse tipo de candidatura, ou que acuse seus problemas (no caso o analfabetismo do candidato) antes das eleições, porque, se configurar mesmo o crime, pelo menos um milhão de pessoas terá, literalmente, perdido seus votos.

E os analfabetos políticos, muitos deles eleitos ou reeleitos, não teriam também que passar por um teste sobre seus conhecimentos políticos? E aposto que muitos seriam reprovados. Por fim, não podemos esquecer que os Estados Unidos elegeram George Bush, a Itália elegeu Silvio Berlusconi, e olhem bem alguns eleitos em Santa Catarina. Entre estes, mil vezes o palhaço original.

Publicado originalmente no Diário Catarinense, 9 de outubro de 2010

5 comentários:

Henrique Espada disse...

Ótimo Fábio! É preciso exorcizar o grande monte de besteiras preconceituosas que estão em circulação! Grande abraço!

jean mafra em minúsculas disse...

as vezes, seu fábio, o senhor consegue dizer exatamente o que eu gostaria... e de maneira mais clara e de modo muito mais articulado que eu poderia.

La Vanu disse...

Lástima que somente honestidade não forma um político. Honestidade é condição sine qua non para tal. Ser alfabetizado também. Porém, aaaaaaaaaaah porém, vivemos em um país (para não dizer em um globo) de medíocres, e não me excluo, porque entre votar em um ou em outro acabo escolhendo o "menos pior" porque é o que me cabe. Eu votaria em um palhaço, acho que a tristeza deles pode ser útil a um país, mas não no que foi eleito, nem por protesto.
Quantos aos eleitos ou reeleitos, também acho que teriam que passar por um teste sobre seus conhecimentos políticos. Resta saber quem elaboraria as perguntas.

Mirita casimiro disse...

É isso aí

Priscila Lopes disse...

Para mim é tão óbvio que devesse haver uma avaliação sério, talvez "Institucionalizada", pra daí então lançar-se à candidatura. O problema é acreditar que não haverá candidato sendo favorecido nas classificações. Seria um tal de pretendente à candidatura pedir CPI da avaliação!