<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><rss xmlns:atom='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' version='2.0'><channel><atom:id>tag:blogger.com,1999:blog-38130041</atom:id><lastBuildDate>Sat, 26 Dec 2009 21:07:35 +0000</lastBuildDate><title>blogue do brüggemann</title><description></description><link>http://bloguedobruggemann.blogspot.com/</link><managingEditor>fabiobruggemann@gmail.com (Fábio Brüggemann)</managingEditor><generator>Blogger</generator><openSearch:totalResults>128</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>25</openSearch:itemsPerPage><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-38130041.post-4858593336177806538</guid><pubDate>Thu, 24 Dec 2009 14:05:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-12-24T06:07:28.954-08:00</atom:updated><title></title><description>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;FÉRIAS E O BASTANTE&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mundo seria bem melhor sem as demarcações simbólicas. É lógico que seria outro, mas reside apenas no meio da palavra utopia. Imagino o mundo sem mapas com linhas imaginárias, nomes de países diferentes, e taxonomias de qualquer tipo e números. Para algumas tribos indígenas, depois de nove não vem o dez, mas o “bastante”. Que importância há se é onze ou se é bastante? Não faz diferença nenhuma para a existência se este mês é dezembro e se o próximo será janeiro, pois nada mudará. Mas que diachos nos faz pensar que alguma coisa será nova? Por que agimos desesperados, correndo como malucos para entregar projetos, trabalhos, fazer resoluções que não mudam nada a vida de alguém se concluirmos agora ou mais adiante? Por que atribuímos um nome e um número à passagem do tempo, essa coisa tão abstrata, a qual Santo Agostinho dizia saber o que era, mas que não sabia explicar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos parecem esperar o novo, algo que mude sua vidinha prosaica. Mas não parece, porque se quiséssemos mesmo o novo, não seríamos assim tão velhos, tão apegados às tradições, tão atrasados no que se refere à convivência pública, nos modos de fazer política ou no jeito de tratar o que denominamos “outro”. Nos achamos modernos mas ainda estamos na pré-história, porque traçamos as tais linhas imaginárias e chamamos o reduto restrito de pátria, depois o entregamos ao primeiro corrupto ou ditador que encontramos. O que nos diferencia do velho é apenas, talvez, a grandeza quase metafísica da decolagem de um avião. De resto, pelo preconceito, pela destruição insana da natureza, pela insistência em achar que somos animais diferentes de uma bactéria (e no entanto ela ainda nos mata), somos tão arcaicos quanto o homem de Neardenthal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas graças aos nomes que damos às coisas, terei algo a que chamamos de “férias”, depois de todo este “bastante” de dias a que chamamos de 2009. Tentarei, nos próximos vinte dias, ficar bem longe do que chamamos de “computador”, no que chamamos de Velho Continente, essa coisa que também nos dá a ideia abstrata de que é preciso de “bastante” informação. Até a volta, e fiquem com o texto saboroso e divertido do Victor da Rosa, que será chamado nas próximas quatro semanas de “interino”.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38130041-4858593336177806538?l=bloguedobruggemann.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://bloguedobruggemann.blogspot.com/2009/12/ferias-e-o-bastante-o-mundo-seria-bem.html</link><author>fabiobruggemann@gmail.com (Fábio Brüggemann)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-38130041.post-1735734939242607898</guid><pubDate>Sat, 19 Dec 2009 17:06:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-12-19T09:07:01.341-08:00</atom:updated><title></title><description>&lt;h2 style="text-align: justify;" class="tipo-c"&gt;Ainda sobre a árvore&lt;/h2&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;      &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Por respeito aos leitores tentarei explicar o que o secretário de turismo da Capital não sabe, o que a oposição não consegue de forma clara, e o quanto o Tribunal de Justiça tergiversou sobre a árvore na Avenida Beira-Mar, aqui na Ilha de Nossa Senhora dos Aterros. Qualquer pessoa que disser que aquele monstrengo não foi feito com dinheiro público está enganando a população, porque se não fosse público não precisaria de dispensa de licitação. Quando um servidor público diz que determinado projeto não foi pago com dinheiro público, mas por uma empresa por meio de incentivo fiscal, está querendo ludibriar o consumidor. Incentivo fiscal, até criancinha sabe – por mais que tenha sido “captado” na iniciativa privada – ainda é dinheiro público.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A decisão primeira do Tribunal de Justiça de Santa Catarina, e que por sapiência do próprio Pleno foi revista na quarta-feira passada, é bastante simbólica, porque retrata a pobreza intelectual da capital da Santa e Brega Catarina. Dizia o juiz que o pagamento não deveria ser suspenso porque causaria um prejuízo à imagem de Florianópolis. Como assim? Não leram as matérias na Folha de S.Paulo e todas as piadas que saíram em centenas de blogues e entre os tuiteiros do País, justamente tirando graça por uma cidade gastar tanto dinheiro com uma árvore de Natal? Isso não arruinou a imagem da cidade? A reversão da decisão sabiamente pune o absurdo, o que causa um efeito contrário, que é mostrar ao resto do País que na Ilha de Nossa Senhora dos Aterros tem uma população que zela pelo dinheiro público e que os responsáveis por ideias insensatas são punidos pelo seus magistrados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por último, ainda que não fosse dinheiro público, uma empresa privada seria muito estúpida por gastar R$ 3,7 milhões numa coisa medonha como aquela. Tem tanta escola caindo aos pedaços, tanto equipamento queimado nas clínicas públicas, tanta gente dormindo na rua, que essa grana seria uma festa. Mas na Ilha dos Aterros, graças à falta de inteligência, pra não dizer coisa pior, de seus administradores, a falta de bom senso faz apenas criar árvores que já nascem com suas raízes pra lá de podres. Só não vê quem não quer.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38130041-1735734939242607898?l=bloguedobruggemann.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://bloguedobruggemann.blogspot.com/2009/12/ainda-sobre-arvore-por-respeito-aos.html</link><author>fabiobruggemann@gmail.com (Fábio Brüggemann)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>2</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-38130041.post-2115117330908190802</guid><pubDate>Sat, 12 Dec 2009 18:52:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-12-12T10:59:34.046-08:00</atom:updated><title></title><description>&lt;span class="Apple-style-span" style="color: rgb(102, 102, 102); font-family: 'Trebuchet MS'; font-size: 13px; "&gt;&lt;h2 class="tipo-c" style="text-align: justify;color: rgb(67, 68, 127); font-weight: normal; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; font-size: 22px; margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 12px; margin-left: 0px; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: georgia;"&gt;O amor é uma viagem&lt;/span&gt;&lt;/h2&gt;&lt;p style="line-height: 1.4; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 12px; margin-left: 0px; "&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: georgia; "&gt;É bem fácil, e até divertido, fazer uma analogia do amor com uma viagem. Não lembro quem me disse um dia destes, que para saber se uma relação amorosa pode ser legal, o melhor, antes de juntar os trapos, é viajar juntos. Há que se ter muita paciência mútua para ficar dias num mesmo carro, quarto de hotel, barraca, enfim, seja o que for, durante um tempo sem se incomodar, às vezes, com questínculas, como diz o diminutivo redundante, bem mínimas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: georgia;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Numa viagem, como num amor, em algum momento um quer ir, o outro quer voltar, um quer o leste, outro o sul, quer ternura outro o tesão. Para que a viagem seja harmoniosa, alguém tem que ceder, ainda mais se a ideia é ficar juntos até o fim, ainda que não saibamos bem direito o que seja o fim. No amor, como numa viagem, os termos são mesmos. “Nosso destino”, “seguir juntos” ou “essa nossa jornada” têm conotação igual tanto para quem viaja quanto para quem ama.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tanto o amor quanto a viagem têm um começo, um meio e um fim, mesmo que esse fim seja a indesejada das gentes. Talvez, uma das poucas coisas que diferencie o amor da viagem seja a frase “juntos para sempre”, até porque as viagens são mais curtas do que um “para sempre”.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No amor também é necessário “traçar um rumo”, e, no meio, “rever o destino”. Também é possível, tanto na viagem quanto no amor “mudar os planos”. Esta frase talvez seja a maior responsável pelo fim das viagens ainda na metade, assim como dos amores.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tanto numa viagem quanto no amor, talvez o grande barato seja o frio na barriga do começo, as incertezas e dúvidas no meio, e a saudade e a melancolia do fim. Para amar, às vezes, é preciso comprar uma passagem só de ida, ou arrumar as malas, ou voltar desde o começo da estação, ou jogar o bilhete fora, porque a viagem supostamente não tem futuro.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mesmo que leve duas semanas para chegar o dia, ou quatro horas e meia para desembarcar no grande e quase utópico terreno de batalha ao qual chamamos de hotel, o amor é mesmo uma viagem, cujo destino é o imponderável, e cuja consequência é o incomensurável.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38130041-2115117330908190802?l=bloguedobruggemann.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://bloguedobruggemann.blogspot.com/2009/12/o-amor-e-uma-viagem-e-bem-facil-e-ate.html</link><author>fabiobruggemann@gmail.com (Fábio Brüggemann)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>3</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-38130041.post-1032769923574865889</guid><pubDate>Sat, 05 Dec 2009 14:52:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-12-05T06:53:43.244-08:00</atom:updated><title></title><description>&lt;h2 style="text-align: justify;" class="tipo-c"&gt;Razão e paixão no futebol&lt;/h2&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;      &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Nenhuma religião, partido político, banda de música, associação, clube ou qualquer outra atividade coletiva humana junta tanta gente como o futebol. Por conta disso, da coletivização do espetáculo, o futebol não prescinde da paixão, por mais que racionalistas (como sou tantas vezes chamado pelos leitores) queiram o contrário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda que a gente não consiga descartá-la a qualquer momento, ou deixá-la de lado, a paixão emburrece qualquer coisa. Ela não deixa ver, na maioria das vezes, o óbvio. A paixão mata e faz matar, ela é cega, e, no futebol, ela mais obscurece do que abrilhanta uma partida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por causa da paixão é que ainda existe a regra do impedimento. Num espetáculo cujo objetivo é marcar gols, impedir que um atacante se coloque inteligentemente (sim, com razão) longe do defensor é uma desrazão. Não parar o relógio, como em outros esportes como o basquete, por exemplo, que não acaba nos pontos, como o vôlei, também é fruto de uma paixão doentia (sei que é redundância, já que toda paixão é doença, pois vem do grego pathos, que nos deu patologia).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se a cada vez que a bola parasse, o tempo fosse interrompido, acabaria de vez essa desrazão de jogadores fazendo cera. Mas não, os brucutus da paixão adoram essa palhaçada de jogador caindo por qualquer encostão, ou de juiz dar desconto sem nenhuma razão e a seu critério, como fez com o Fluminense, na última quarta-feira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda bem que a razão prevaleceu no campeonato brasileiro, desde que instituíram os pontos corridos. Cada partida é decisiva, e a prova é a grande final de amanhã, que será dividida (ainda que já saibamos que o Grêmio perderá) em quatro grandes finais. Só mesmo movido pela paixão que torcedores do Inter, Palmeiras e São Paulo irão aos estádios pensando o oposto. Paixão é isso mesmo, é pensar que se pode, é ter um pingo de esperança, ainda que a razão nos diga o contrário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E por falar em falta de razão, os cartolas da Fifa não deram bola para a ideia razoável de incluir juízes atrás dos goleiros. Penso, às vezes, que esse medo de mudar no futebol, movido pela paixão, é que estimula a violência nos estádios. Mais razão nas regras levaria naturalmente mais razão ao torcedor.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38130041-1032769923574865889?l=bloguedobruggemann.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://bloguedobruggemann.blogspot.com/2009/12/razao-e-paixao-no-futebol-nenhuma.html</link><author>fabiobruggemann@gmail.com (Fábio Brüggemann)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>3</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-38130041.post-2279148829908806115</guid><pubDate>Sat, 28 Nov 2009 22:26:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-11-28T14:27:25.735-08:00</atom:updated><title></title><description>&lt;span class="Apple-style-span" style="color: rgb(102, 102, 102); font-family: 'Trebuchet MS'; font-size: 13px; "&gt;&lt;h2 class="tipo-c" style="text-align: justify;font-family: Georgia, 'Times New Roman', Times, serif; color: rgb(67, 68, 127); font-weight: normal; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; font-size: 22px; margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 12px; margin-left: 0px; "&gt;Quanto vale uma árvore?&lt;/h2&gt;&lt;p style="line-height: 1.4; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 12px; margin-left: 0px; "&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Num único fim de ano, como já alertou no começo da semana o meu colega de coluna, Felipe Lenhart, a Ilha de Nossa Senhora dos Aterros vai gastar mais de R$ 10 milhões para três ações que só mesmo a falta de bom senso administrativo dos governantes, estaduais e municipais, pode conceber. Por pouco mais de R$ 10 milhões nós pagaremos por uma corrida de kart, um cantor italiano e uma árvore de natal.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Para o leitor ter uma ideia, o edital de cinema, que só existe ainda porque é lei, investe pouco mais de R$ 1 milhão por ano. No entanto, emprega atores, diretores, roteiristas, cenógrafos, e resulta em pelo menos um longa-metragem por ano, três ou quatro curtas, vídeos, roteiros e projetos. Isso tudo para mostrar como vivemos, o que pensamos e quem somos. Uma corrida de kart, um cantor italiano e uma árvore valem dez vezes mais, na conta dos nossos governantes, porém, não resulta em nada.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Um projeto de estímulo à leitura, que seria muito mais revolucionário e necessário, mas que não existe, não custaria mais do que R$ 100 mil por ano. Ou seja, uma árvore vale quantas vezes mais do que um ideia revolucionária, que teria como princípio tirar o Estado de um dos piores índices de leitura do País?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas talvez o pior deles seja a tal árvore de natal, por todo simbolismo que representa. Políticos são notórios mentirosos. Falam em educação sem nunca terem visitado uma escola pública, falam em saúde sem nunca terem pisado numa clínica pública, porque ganham o suficiente para se tratar em clínicas privadas. Uma árvore de natal pública é o simbolismo de uma crença em algo que não existe, chamado “espírito natalino”. Parece uma analogia um tanto vulgar, mas se pensamos nisso, que outra lógica haveria para gastar tanto com um negócio tão desnecessário?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É isso o quanto nós valemos, caros leitores, dez vezes menos, por termos escolhido pessoas sem nenhuma vontade de pensar uma política pública à cultura e à educação. Dez vezes menos que uns caras andando de kart, dez vezes menos que um cantor italiano, e, enfim, dez vez menos que uma árvore.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38130041-2279148829908806115?l=bloguedobruggemann.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://bloguedobruggemann.blogspot.com/2009/11/quanto-vale-uma-arvore-num-unico-fim-de.html</link><author>fabiobruggemann@gmail.com (Fábio Brüggemann)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>5</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-38130041.post-4138185375483295235</guid><pubDate>Sat, 21 Nov 2009 15:10:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-11-21T07:12:06.617-08:00</atom:updated><title></title><description>&lt;h2 style="text-align: justify;" class="tipo-c"&gt;Outros dois míopes&lt;/h2&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;      &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Outros dois míopes se conheceram de forma diferente dos anteriores. Começa a história já descompassada, até porque histórias de compasso não têm muita valia, a não ser que seu contador seja mesmo muito bom. A míope demorou muito pra nascer. Não foram nove meses, não, mas contaram nos dedos dos pés e das mãos quase trinta invernos, trinta luas cheias. E ele esperou por ela esse tempo todo, quase como na novela de F. Scott Fitzgerald, na qual o menino nasce velho e morre na escuridão, como bem narra o autor: “E seu alvo berço, os rostos turvos que pairavam sobre ele, e o doce aroma do leite se esvaíram por completo de sua mente”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo se parecendo como estrelas, como dois sóis sós, de uma hora para outra, um míope foi posto na frente do outro. E ele a enxergou de longe a primeira vez que a viu, por mais que isso possa parecer coisa apenas pra aumentar história. E como não enxergava os detalhes, gostou do contorno, e depois reconheceu, como cabe bem aos míopes, sua voz . E ela, lá de longe, disse: “Bem vindo, moço bonito”. E ele pensou que ela nunca, como os míopes anteriores, deveria tirar os óculos, porque se para ela, ele parece um moço bonito, como o senhor do tempo, nada deve corrigir tal conceito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de muita e mútua correspondência, eles embaciaram os óculos. Ela chora, e ele seca os olhos dela. Ela pede que ele espere, e ele espera. Mas tem um detalhe que compromete a continuidade dessa história de bater óculos um no outro, e de embaciá-los. Como na história de Fitzgerald, o descompasso temporal, a distância de um lugar a outro, faz com que em apenas num ínfimo do tempo eles possam ser, digamos, na falta de palavra melhor, felizes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele tem um cavalo cinza escuro. Ela um corcel branco, mas não tem ainda carteira para dirigir. A felicidade reside nesse detalhe, mínimo, sabemos disso. Mas existe um lugar no tempo em que bebês que nascem velhos, e velhos que nascem bebês se encontram no tempo e no espaço, como na história de Fitzgerald, e não importa se usam óculos ou não. E ele disse que viverá por causa desse ponto incomensurável, único, quase epifânico, porque sabe que a miopia é metáfora mais que perfeita pra essa história, mas que só a alguns é dado vê-la.&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Publicado originalmente no &lt;a href="http://www.clicrbs.com.br/diariocatarinense/jsp/default2.jsp?uf=2&amp;amp;local=18&amp;amp;source=a2724122.xml&amp;amp;template=3916.dwt&amp;amp;edition=13570&amp;amp;section=1315"&gt;Diário Catarinense&lt;/a&gt;, 21 de novembro de 2009.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38130041-4138185375483295235?l=bloguedobruggemann.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://bloguedobruggemann.blogspot.com/2009/11/outros-dois-miopes-outros-dois-miopes.html</link><author>fabiobruggemann@gmail.com (Fábio Brüggemann)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>5</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-38130041.post-306124318114784012</guid><pubDate>Thu, 19 Nov 2009 20:00:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-11-19T12:01:45.980-08:00</atom:updated><title></title><description>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_MkyLuOfAcwI/SwWkHZz9tuI/AAAAAAAAAnw/mYNY5Tjzp4Q/s1600/convite.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 285px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_MkyLuOfAcwI/SwWkHZz9tuI/AAAAAAAAAnw/mYNY5Tjzp4Q/s400/convite.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5405907374823028450" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;imprima o convite e ganhe 20% de desconto na compra de qualquer livro, no lançamento.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38130041-306124318114784012?l=bloguedobruggemann.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://bloguedobruggemann.blogspot.com/2009/11/imprima-o-convite-e-ganhe-20-de.html</link><author>fabiobruggemann@gmail.com (Fábio Brüggemann)</author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_MkyLuOfAcwI/SwWkHZz9tuI/AAAAAAAAAnw/mYNY5Tjzp4Q/s72-c/convite.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>1</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-38130041.post-3298559830939132047</guid><pubDate>Sat, 14 Nov 2009 17:22:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-11-14T09:23:09.157-08:00</atom:updated><title></title><description>&lt;h2 class="tipo-c"&gt;Neocaretismo me dá medo&lt;/h2&gt;      &lt;p style="text-align: justify;"&gt;Cada um pensa o que quer, isso é a democracia. É compreensível que uma pessoa não admita, por convicções religiosas, políticas, filosóficas que possa haver modos distintos de ver o mundo. Inaceitável é a imposição, e, por consequência, a proibição de determinadas atitudes, por conta destas convicções.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos anos de 1960, a grande Leila Diniz já havia escandalizado a sociedade apenas porque resolveu, com todo direito que tinha, de ir à praia de biquíni, mesmo estando grávida. Passados mais de 40 anos, um bando de machistinhas (sim, existem garotas machistas) agridem verbalmente uma garota que resolveu ir de minissaia para a escola. Nem todo mundo precisa gostar de ver perna. Quem não gosta, não olhe. Os garotos e garotas que agrediram a estudante da Uniban são apenas o reflexo de um neomoralismo que me dá medo. Foi este mesmo moralismo que deu guarda ao golpe militar, que criou este neopentecostalismo ultracareta e conservador, e que tenta criar regras cada vez mais sem sentido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um das regras é a nova lei antifumo, sancionada pelo prefeito em exercício. Cito aqui o argumento do jornalista Fábio Bianchini (que nem fuma), do seu blog, como sendo exemplar sobre esse neocaretismo que assola o país. Ele diz textualmente: “É quando, então, vou poder sair e chegar em casa sem cheiro de cigarro, certo? Errado. Bem pelo contrário. Em primeiro lugar, eu já posso fazer isso. É só escolher um lugar onde, por iniciativa dos proprietários, já não se pode fumar. Quem não quer a fedentina vai a esses. Quem não se importa frequenta os outros. Simples e democrático, né? E ‘poder’ implica em escolha, portanto, o problema é mais grave do que ‘eu já posso’.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa é questão principal, o direito individual de escolha. Ninguém precisa gostar de minissaias, basta não olhar. Quem não gosta de cigarros não vá a lugares onde se pode fumar; quem não gosta de homossexuais, não precisa ser um, nem mesmo tentar impedir que eles possam se amar. Quem não gosta de viver, enfim, que fique em casa, assistindo tevê, igual a um carola do século passado, torcendo para que o mundo pare de se transformar, porque, independente da vontade dos caretas, e dos neomoralistas, ele vai mudar sempre, ainda bem.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38130041-3298559830939132047?l=bloguedobruggemann.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://bloguedobruggemann.blogspot.com/2009/11/neocaretismo-me-da-medo-cada-um-pensa-o.html</link><author>fabiobruggemann@gmail.com (Fábio Brüggemann)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>3</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-38130041.post-456129772873089378</guid><pubDate>Sat, 07 Nov 2009 14:03:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-11-07T06:41:40.533-08:00</atom:updated><title></title><description>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_MkyLuOfAcwI/SvWHHfb5egI/AAAAAAAAAnQ/ok2Y6qoDXHU/s1600-h/pesquisa+itau+066.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 400px; height: 347px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_MkyLuOfAcwI/SvWHHfb5egI/AAAAAAAAAnQ/ok2Y6qoDXHU/s400/pesquisa+itau+066.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5401371890868124162" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;h2 class="tipo-c"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/h2&gt;&lt;h2 class="tipo-c"&gt;Luna e o muro de Berlim&lt;/h2&gt;      &lt;p style="text-align: justify;"&gt;Na próxima segunda-feira, comemora-se 20 anos de dois acontecimentos fundamentais pra história da humanidade, ou pelo menos da história recente dela. O primeiro é a queda do muro de Berlim. Construído em 1961 pela ex-Alemanha Oriental, que se autodenominava República Democrática Alemã, mas que de democrata não tinha nada, o muro dividia Berlim ao meio. Mais do que a real barreira, feita de concreto, foi símbolo de uma guerra que de fria também tinha apenas o nome. Eram 66,5 km de pedra, com 302 torres de observação, redes eletrificadas, cães de guarda e seres humanos dispostos a matar outros seres humanos apenas porque desejavam passar de um pedaço de terra a outro. Nada mais era do que um símbolo da estupidez humana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O segundo acontecimento, enquanto civis alemães começavam a lascar e derrubar tal muro, foi o nascimento de uma menina a que batizei de Luna. Lembro bem da minha cara colada na vitrina que separa pais chorões de bebês igualmente chorões. Lembro que não tinha sol naquele dia, que era mais ou menos cinco da tarde, e que a mãe dela estava linda. Lembro que Luna agitava os braços procurando uma parede de barriga que não existia mais. Lembro bem de ter pensado o que seria a vida daquele bebê, num mundo que parecia se renovar. Lembro de ter pensado, como ela será daqui a vinte anos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os vinte anos passaram rapidinho e o mundo não ficou melhor. É cada vez mais violento, mais preconceituoso, e com mais pessoas à margem de qualquer coisa que o leitor possa imaginar de conforto, saúde, educação, moradia, alimentação ou cultura. É um mundo onde a tecnologia nos faz derrubar, sim, os muros que cercam a comunicação. Podemos nos comunicar sem problemas com qualquer cidadão de Berlim que tenha acesso a um computador. Mas é cruel, por esta mesma estatística, pensar que apenas 2% das pessoas no planeta têm acesso a computadores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É um mundo onde ficou muito fácil para qualquer babaca se dizer democrata, mas que no fundo ainda compra votos, acha que progresso é asfalto, que cultura é turismo, e que destruir cidades e mangues é bacana. Apesar de eu não ter conseguido te dar um mundo mais justo, fiz o que pude, nessa tarefa quase inglória que é a de escrever. Parabéns, minha filhota.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38130041-456129772873089378?l=bloguedobruggemann.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://bloguedobruggemann.blogspot.com/2009/11/luna-e-o-muro-de-berlim-na-proxima.html</link><author>fabiobruggemann@gmail.com (Fábio Brüggemann)</author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_MkyLuOfAcwI/SvWHHfb5egI/AAAAAAAAAnQ/ok2Y6qoDXHU/s72-c/pesquisa+itau+066.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>19</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-38130041.post-7704279223990180925</guid><pubDate>Sat, 31 Oct 2009 13:11:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-10-31T06:13:46.624-07:00</atom:updated><title></title><description>&lt;h2 style="text-align: justify;" class="tipo-c"&gt;Ledos enganos&lt;/h2&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;      &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Há mais de 2.500 anos, Tales de Mileto, o filósofo grego, acreditava que as plantas eram água antes de serem plantas, porque a cada vez que a chuva caía elas brotavam. Para ele, tudo era feito de água. Já um de seus discípulos, Anaximandro, foi um dos primeiros a desmontar a ideia de que a Terra não era sustentada por alguma coisa, mas ainda tinha certeza de que era plana, apenas um ledo engano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desculpas pelo salto de mil anos na história, mas Giordano Bruno foi queimado na fogueira da Inquisição porque atribuiu ao universo uma infinitude discordante dos “sábios doutos” da Igreja Católica. Galileu Galileu quase foi queimado, e só não foi porque voltou atrás (não por convicção, mas por medo) de sua própria afirmação anterior de que a Terra era redonda e girava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Indivíduos têm muitas ideias revolucionárias, ao contrário do coletivo, que eu chamaria aqui de “institucional”, pois custa, por vezes milênios, a aceitar novos conceitos talvez óbvios, como os fatos de que nem tudo é água, que a Terra, além de ser redonda, gira, e, por fim, que o universo talvez seja mesmo, pelas várias evidências científicas, infinito. Isso pode ser um bom argumento para a tese de que tudo aquilo que pensamos sobre as coisas que realmente interessam podem estar bastante equivocadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo bem que é muito difícil suplantar os desejos da experiência pessoal. É diferente, muito aliás, alguém saber que pode morrer se fumar muito cigarro, ou beber muita cachaça, ou ficar burro por assistir muita televisão. Mesmo assim, pessoas continuam fumando, bebendo cachaça e, o que é pior que tudo isso, assistindo televisão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Somos todos filhos do engano. Inclusive, escrever sobre isso talvez seja apenas mais um engano, e não tão ledo. Aliás, pouca gente sabe que “ledo” vem do latim e significa “alegre”. Alguns enganos individuais talvez não façam tão mal, a não ser àquele que se autoengana. Agora, os enganos coletivos, como o modo tolo como dirigimos, votamos, acreditamos, pensamos, enfim, estes não são nada ledos.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38130041-7704279223990180925?l=bloguedobruggemann.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://bloguedobruggemann.blogspot.com/2009/10/ledos-enganos-ha-mais-de-2.html</link><author>fabiobruggemann@gmail.com (Fábio Brüggemann)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>3</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-38130041.post-590777435614282209</guid><pubDate>Sat, 24 Oct 2009 14:53:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-10-24T08:10:04.454-07:00</atom:updated><title></title><description>&lt;h2 style="text-align: justify;" class="tipo-c"&gt;Dois míopes&lt;/h2&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;      &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Ambos saíram da mesma sala de cinema, assistiram ao mesmo filme, levantaram no mesmo segundo depois do letreiro anunciar o fim da sessão, mas não se conheciam. Caminharam juntos até o ponto de ônibus, mas não conversaram. O que pensavam? O que desejavam? No ponto, ela, míope que era, perguntou se ele poderia fazer o favor de dizer o que estava escrito no letreiro do latão. Ele disse que não poderia, porque também era míope. Como deveriam acenar, ou não, dependendo do destino, ambos cerraram os olhos para enxergar melhor. Quando o ônibus chegou bem próximo, ambos gritaram, um para o outro, como se fizessem um favor mútuo: “vai para o Centro”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eles embarcaram, passaram a catraca, e como se fosse a coisa mais natural do mundo, apenas porque eram míopes – e apesar de no veículo estarem somente eles dois, o cobrador e o motorista – sentaram um ao lado do outro. A conversa foi bem estranha, versava sobre quantos graus cada um tinha em cada par de lentes. Falaram de uma ou outra amenidade, até que ele, sem até hoje nunca ter sabido de onde tirou tanta coragem, pediu a garota em casamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela não ficou surpresa, não. Olhou para um lado, olhou para o outro, o cobrador estava na dele contando os trocados, respirou bem fundo, com o que podia enxergar, e disse “sim”. Ele sorriu, pegou na mão dela e foram até o terminal do Centro, assim, de mãos dadas. Depois, foram beber uma cerveja, comemorar o casamento, trocaram beijos e, como se fosse uma história de amor de verdade, ele teve que partir, porque, na época, o último ônibus para Santo Antônio de Lisboa, onde morava, partia à meia-noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia seguinte, ele não lembrava o nome de sua recém-mulher, nem o que fazia, mas estava apaixonado. Nunca soube se por ela, ou se pelo inusitado da cena. Descobriu depois, com o bilheteiro do cinema, o nome e o telefone dela. Telefonou, perguntou se ainda lembrava dele, ao que ela respondeu: “Eu não podia esquecer da voz do meu marido”. E assim foram uns dois meses de um a história que parecia ter tudo para durar para sempre. Mas não durou, porque o amor nem sempre é cego. Um dia ela foi embora, e ele desconfia que foi por causa dos óculos novos, que corrigiram pra sempre sua miopia.&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;no &lt;a href="http://www.clicrbs.com.br/diariocatarinense/jsp/default2.jsp?uf=2&amp;amp;local=18&amp;amp;source=a2695004.xml&amp;amp;template=3916.dwt&amp;amp;edition=13373&amp;amp;section=1315"&gt;Diário Catarinense&lt;/a&gt;, 24 de outubro de 2009&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38130041-590777435614282209?l=bloguedobruggemann.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://bloguedobruggemann.blogspot.com/2009/10/dois-miopes-ambos-sairam-da-mesma-sala.html</link><author>fabiobruggemann@gmail.com (Fábio Brüggemann)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>14</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-38130041.post-339017877385922925</guid><pubDate>Sat, 17 Oct 2009 15:03:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-10-17T08:05:49.600-07:00</atom:updated><title></title><description>&lt;h2 style="text-align: justify;" class="tipo-c"&gt;Por que não cumprimos leis?&lt;/h2&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;      &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Dois motivos levam os brasileiros a desrespeitar leis. Ambos têm a ver com a forma como compreendem a política, com letra maiúscula, como sendo uma coisa qualquer, e que serve apenas para se levar alguma vantagem em época de eleições, seja como eleitor, seja como candidato. Ambos os motivos são, a priori, promovidos e incentivados pelo Estado, nas suas mais variadas formas de poder. Numa espécie de motocontínuo social, elegemos políticos que não compreendem a essência da política e que, por conta disso, mantém um sistema oneroso, mantenedor de uma política que não privilegia o espírito público e a igualdade, e, ainda por cima, é ilegal. O primeiro é a impunidade. O segundo é o descumprimento, por parte do Estado, de leis que ele mesmo cria. Se nem o Estado cumpre as leis, por que a população deveria cumprir?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dos exemplos mais emblemáticos é o acordo feito entre o Estado brasileiro e o Vaticano que é escancaradamente inconstitucional. O parágrafo primeiro do artigo 11 do acordo diz: “O ensino religioso, católico e de outras confissões religiosas, de matrícula facultativa, constitui disciplina dos horários normais das escolas públicas de ensino fundamental, assegurado o respeito à diversidade cultural religiosa do Brasil, em conformidade com a Constituição e as outras leis vigentes, sem qualquer forma de discriminação”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trata-se de um desrespeito a outras crenças, além de inconstitucional (pois a Carta diz claramente que o Estado deve ser laico), essa preferência pela Igreja Católica. Além disso, o trecho acima é incoerente, porque fala em “matrícula facultativa”, mas “constitui disciplina dos horários normais das escolas públicas de ensino fundamental”. A única cadeira que o Estado poderia oferecer seria a de história das religiões, mas não é o que acontecerá se diretores de escolas públicas quiserem levar esse acordo a sério.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não moro num país sério, havia quase esquecido disso. Afinal, a Assembleia Legislativa do Estado e a Câmara de Vereadores da Capital cotidianamente violam a lei, mantendo crucifixos exatamente sobre a cabeça de seus transgressores presidentes. Cumprir leis para quê?&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Publicado originalmente no &lt;a href="http://www.clicrbs.com.br/diariocatarinense/jsp/default2.jsp?uf=2&amp;amp;local=18&amp;amp;source=a2687184.xml&amp;amp;template=3916.dwt&amp;amp;edition=13328&amp;amp;section=1315"&gt;Diário Catarinense&lt;/a&gt;, em 17 de outubro de 2009.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38130041-339017877385922925?l=bloguedobruggemann.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://bloguedobruggemann.blogspot.com/2009/10/por-que-nao-cumprimos-leis-dois-motivos.html</link><author>fabiobruggemann@gmail.com (Fábio Brüggemann)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>5</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-38130041.post-9106704058793049211</guid><pubDate>Mon, 12 Oct 2009 23:25:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-10-12T16:25:44.802-07:00</atom:updated><title></title><description>&lt;h2 style="text-align: justify;" class="tipo-c"&gt;Achados e perdidos&lt;/h2&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;      &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Não sei se ainda existe um departamento de achados e perdidos. Eu imaginava um lugar comprido com estantes devidamente catalogadas, cheias de objetos com teias de aranhas aguardando seus donos. Já perdi tanta coisa nessa vida, que talvez não coubesse num único departamento. Perdi livros, canetas, isqueiros, brinquedos. Um deles, perdi ainda na infância, e depois o encontrei no sótão da casa do meu avô, que, por coincidência, era a casa onde nasci, e onde morei até a juventude. Era um macaco que pedalava sobre uma corda. Para brincar, era preciso de duas pessoas. Enquanto um levantava a corda, para que ele descesse por ela, o outro tinha que baixá-la, e vice-versa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O poeta Mario Quintana escreveu, num de seus epigramas, que as coisas perdidas – e inclua-se os indefectíveis guarda-chuvas, os botões que se desprenderam, as dentaduras postiças (objetos que ele chama de heteróclitos e tristes) – vão parar nos anéis de Saturno, e que ficam lá eternamente girando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perdi muitos amigos, perdi muitos amores. Mas também encontrei outros tantos, amores e amigos. Uns circulam por aí, não sei em que cidade, em qual país. Outros, a “indesejada das gentes já levou”. Onde andam o Zé, o Almirante, o Romualdo, a Rose, a Carol, a Suzane, a Deneuza? Em que planeta ou plano se escondem o Jonibaldo, a Sandra, a Gerusa? Em que cidadezinha se meteu a Inês, em que lugar foi parar a Maria, que me deu o primeiro beijo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em que biblioteca foi parar o livro de fotografias com reproduções manuscritas de poemas de poetas franceses, que, pra falar a verdade, nem era meu, mas do Fernando Karl. Onde está o primeiro filme que fizemos, feito em super-8, e se chamava Tema para chuva? Nele, a Jonira chora na frente do pipoqueiro, o Ricardo fura uma bola com uma faca, e o Marcão cheira a flor que nasce de um sapato velho. Na cena mais importante, a Carol dança com um vestido de cigana e um guarda-chuva colorido sob uma chuva falsa, feita de mangueira. Carol, onde andas? Naqueles dias perdidos, eu tenho certeza de que fui feliz, e aquela felicidade foi parar nos anéis de Saturno, junto com todos os outros achados há muito já perdidos.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38130041-9106704058793049211?l=bloguedobruggemann.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://bloguedobruggemann.blogspot.com/2009/10/achados-e-perdidos-nao-sei-se-ainda.html</link><author>fabiobruggemann@gmail.com (Fábio Brüggemann)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>7</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-38130041.post-651537722634419543</guid><pubDate>Sat, 03 Oct 2009 15:09:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-10-03T08:16:37.196-07:00</atom:updated><title></title><description>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_MkyLuOfAcwI/SsdqXPVmR0I/AAAAAAAAAlw/drrHwVyE7ng/s1600-h/Barca+dos+Livros+3808.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 246px; height: 164px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_MkyLuOfAcwI/SsdqXPVmR0I/AAAAAAAAAlw/drrHwVyE7ng/s400/Barca+dos+Livros+3808.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5388392426658744130" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;A nau do saber pede socorro&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;      &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Livros são armas perigosas para os governantes, porque fabricam cidadãos inteligentes, e estes não votam em gente sem escrúpulos. Político gosta mesmo é de asfalto, e a maioria odeia livros. Como não existe uma política de Estado para a cultura, e muito menos para o livro, a Ilha de Nossa Senhora dos Aterros vive à míngua no que se refere a essas questões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Prova disso é que não existem bibliotecas públicas municipais na cidade. A única municipal, e não vale contar as das escolas públicas, porque são delas, fica no continente, e pertence, pasmem, à Secretaria de Obras. Sim senhores, é desse modo que esses caras veem os livros. Não me admirarei o dia em que, para recapar a Beira-Mar pela centésima vez (porque pra essa gente, asfalto bom é asfalto que se deteriora logo) usarão os livros da biblioteca Barreiros Filho junto com piche.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A única biblioteca pública da cidade fica na Lagoa. É pública porque é aberta, mas não é no que se refere à administração. A Barca dos Livros, que fica ali no trapiche, é ideia de cidadãs que trabalham de graça para manter o espaço navegando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tânia Piacentini, uma das idealizadores, lançou nessa semana um manifesto pedindo socorro para que o espaço e o acervo maravilhoso de que dispõe literalmente não naufrague. A nau do saber é mantida pela Sociedade Amantes da Leitura, e existe desde 2007. O problema é que manter um espaço aberto, e gratuito a todos, só com paixão pelo livro não resolve. De vez em quando a Barca consegue emplacar um projeto nas leis de incentivo, mas não dá para mantê-la sem um comprometimento efetivo e permanente do poder público. Afinal, é dever do Estado o incentivo à educação e à cultura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma média de1,8 mil pessoas passam por lá todo mês, tanto para ler ali mesmo quanto para pedir livros emprestados. Em um ano, a Barca emprestou quase 20 mil livros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma cidade que pretende ser referência turística deveria ter, pelo menos, uma biblioteca pública em cada bairro. Mas aqui na Ilha, parece até ridículo ter que pedir apoio público para o funcionamento de uma que é referência, que dirá pedir pela a abertura de novas. Desse modo, em breve, seremos a Capital do mangue ocupado, do patrimônio destruído, do asfalto podre, menos a de uma cidade de leitores, o que seria o sonho ideal.&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;a href="http://www.clicrbs.com.br/diariocatarinense/jsp/default2.jsp?uf=2&amp;amp;local=18&amp;amp;source=a2672787.xml&amp;amp;template=3916.dwt&amp;amp;edition=13246&amp;amp;section=1315"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Diário Catarinense, 3 de outubro de 2009.&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38130041-651537722634419543?l=bloguedobruggemann.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://bloguedobruggemann.blogspot.com/2009/10/nau-do-saber-pede-socorro-livros-sao.html</link><author>fabiobruggemann@gmail.com (Fábio Brüggemann)</author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_MkyLuOfAcwI/SsdqXPVmR0I/AAAAAAAAAlw/drrHwVyE7ng/s72-c/Barca+dos+Livros+3808.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>9</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-38130041.post-2635080285545454384</guid><pubDate>Sat, 26 Sep 2009 13:44:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-09-26T07:21:06.023-07:00</atom:updated><title></title><description>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_MkyLuOfAcwI/Sr4i810s65I/AAAAAAAAAlo/LVg9EqDsjj0/s1600-h/coxilha+057.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 120px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_MkyLuOfAcwI/Sr4i810s65I/AAAAAAAAAlo/LVg9EqDsjj0/s400/coxilha+057.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5385780633017314194" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;h2 style="text-align: justify;" class="tipo-c"&gt;E depois do boi?&lt;/h2&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;      &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Cadê o toucinho que estava aqui? O gato comeu. Cade o gato? Foi pro mato. Cadê o mato? O fogo queimou. Cadê o fogo? A água apagou. Cadê a água? O boi bebeu. E depois do boi, esqueci. Nem sei o motivo pelo qual essa sequência infantil apareceu na minha cabeça. Assim do nada, em plena viagem, descendo a Serra, ela entocou no cérebro. A memória é uma ilha de edição, escreveu o grande poeta Wally Salomão. Por que será que ela me fez lembrar uma brincadeira de criança, mas ao mesmo tempo não me trouxe a brincadeira toda?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou há alguns dias querendo saber o que vem depois do boi, mas não consigo lembrar. Sim, eu poderia procurar no Google, ligar pra um amigo, perguntar pra mãe. Mas achei que estaria dando muita moleza pra memória. Ou eu me esforço, ou vou achar que todas as respostas estão no grande oráculo, como diz a Maria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muitos leitores escreveram emocionados com o presente que ganhei da G., relatado aqui, no sábado passado. Alguns perguntaram se inventei a história toda. Não, ela existe, se chama Gabriela se veste de palhaço pra alegrar as crianças, e, por isso, deve saber o que vem depois do boi. Além do mais, vários destes leitores escreveram para dizer que são o décimo quinto leitor. Foram tantos, que já perdi a conta de quem é quem. Suponho que já devo ter bem uns 25, sem contar a carta da professora Ivonete, da Escola de Educação Básica Governador Celso Ramos, de Joaçaba, avisando que agora não são mais quatorze, mas muitos. Decerto que tenho que parar com essa brincadeira e aceitar tamanha responsabilidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falar em responsabilidade, sei que jornal é coisa séria, tem que ter notícia e informação. Afinal, golpistas militares depuseram o presidente eleito, a Austrália sofreu uma invasão de areia, direitistas norte-americanos vão às ruas porque Barack Obama quer investir em saúde, o Correio está em greve, os congressistas votaram pela ampliação do número de vereadores, a violência aumenta cada vez mais, e eu aqui preocupado porque não sei o que vem depois do boi. Meus inestimáveis e agora incontáveis leitores, afinal, o que vem depois do boi?&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: right;"&gt;&lt;a href="http://www.clicrbs.com.br/diariocatarinense/jsp/default2.jsp?uf=2&amp;amp;local=18&amp;amp;source=a2665502.xml&amp;amp;template=3916.dwt&amp;amp;edition=13197&amp;amp;section=1315"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Diário Catarinense, 26 de setembro de 2009&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38130041-2635080285545454384?l=bloguedobruggemann.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://bloguedobruggemann.blogspot.com/2009/09/e-depois-do-boi-cade-o-toucinho-que.html</link><author>fabiobruggemann@gmail.com (Fábio Brüggemann)</author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_MkyLuOfAcwI/Sr4i810s65I/AAAAAAAAAlo/LVg9EqDsjj0/s72-c/coxilha+057.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>9</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-38130041.post-1445871911730502458</guid><pubDate>Sat, 19 Sep 2009 19:11:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-09-19T12:12:59.165-07:00</atom:updated><title></title><description>&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Uma caixa com uma carta dentro&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Depois de falar durante quase duas horas, num pavilhão cheio de gente, e de comandar um palco maior que ela, como se o palco fosse dela, G. se aproximou e pediu pra tirar uma foto comigo. Se ela não pedisse, eu mesmo pediria. Nunca sei o quanto alguém me quer próximo, principalmente quando eu mesmo quero estar. E quando a maioria das pessoas foi embora, ela me deu um embrulho. Era uma caixa de madeira, pintada de azul, ainda com cheiro de verniz. Na tampa, uma ilustração com a metade de um relógio (lembrei que alguém havia comentado sobre o tempo, talvez ela?), um jogo de dados (jamais abolirá o acaso?), um óculos redondo e um recorte ilegível de jornal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abri a caixa, e dentro havia um cachimbo e uma carta manuscrita, que dizia, numa letra de forma, sem disfarçar palavras rabiscadas, e sobrepostas por algum arrependimento gramatical, textualmente assim:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Já estou explicando que não farei uma boa carta a você, com vírgulas e pontos no lugar certo, mas por favor entenda e leia até o fim, ou não. Esta caixa fui eu quem fiz, nos últimos dias. Desculpa o cheiro de verniz. Ela é muito simples, mas mais ainda é o cachimbo que encontrou. Pois bem, em Joaçaba estas coisas são extintas, e eu não entendo nada. Olhei para esse, entre as poucas opções (o cara me disse que é caboclo) e resolvi comprar. Ele é bem estranho, mas faça o que estiver com vontade. Já errei várias vezes por aqui, mas não tenho mais folhas. Daqui a pouco você estará aqui nesse pavilhão. Nada disso importa. Eu só fiquei muito bem quando comecei a ler algumas crônicas suas. Quando eu estava em meio às garotas, me sentia torturada, pois todas sabiam as faculdades, os cursos e tudo mais. Eu não. Você não deve ter muito tempo para ler cartas de uma aluna que quer agradecer você. Isso parece extremamente ridículo, mas já foi. Que você seja novo mesmo quando o tempo passar, e que eu possa ler suas crônicas quando me sentir insegura do meu destino, rumo a sei lá. Obrigada, G.”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois disso, desapareceu, sem dizer o nome além do enigmático G. Obrigado eu, senhorita G., você nem faz ideia do quanto essa caixa com uma carta dentro mexeu comigo, e por isso a divido agora com meus 14 fiéis leitores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Publicado originalmente no Diário Catarinense, 19 de setembro de 2009.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38130041-1445871911730502458?l=bloguedobruggemann.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://bloguedobruggemann.blogspot.com/2009/09/uma-caixa-com-uma-carta-dentro-depois.html</link><author>fabiobruggemann@gmail.com (Fábio Brüggemann)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>12</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-38130041.post-7464775327553440930</guid><pubDate>Sat, 12 Sep 2009 15:40:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-09-12T08:42:17.096-07:00</atom:updated><title></title><description>&lt;h2 class="tipo-c"&gt;Contra a censura na internet&lt;/h2&gt;      &lt;p style="text-align: justify;"&gt;Alguns políticos ainda são enormes dinossauros, comprometidos apenas com sua manutenção no poder. Nessa semana, o Senado colocou em votação uma proposta para lá de inaceitável. O texto base da (mais uma) reforma eleitoral pretende usar a censura, que a lei eleitoral já exerce sobre os jornais impressos e sobre as emissoras de televisão, também na Internet.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já faz tempo que eu não assisto tevê, com exceção de uma ou outra partida de futebol. Mesmo assim, sempre achei um absurdo o horário eleitoral gratuito. Do mesmo modo que é insensato e inconstitucional a censura na mídia impressa durante as eleições. Mas boa parte da reeleição de uma porção de gente sem nenhum compromisso coletivo e com a democracia só acontece por causa dessa parte abominável da lei eleitoral. Se os jornais e tevês fossem livres, muitos destes dinossauros não teriam sido reeleitos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E pelo jeito, os autores da proposta desconhecem a Internet. Primeiro porque, ao contrário das outras mídias, ela é gratuita. Segundo, porque é o mais democrático dos meios de comunicação. Qualquer cidadão que tenha acesso a computador e à Internet pode ter um blogue, uma página pessoal em qualquer sítio de relacionamento, no Twitter, ou postar seus vídeos no Youtube. E, por último, como a Justiça Eleitoral vai fiscalizar, que seja, o Orkut de um garoto que pensar que o prefeito é um péssimo administrador, por exemplo, e quer manifestar essa opinião? Além do mais, a Constituição é bem clara, em seu artigo 220, parágrafo segundo, que diz: “É vedada toda e qualquer censura de natureza política, ideológica e artística”. Mais claro impossível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fico admiradíssimo que ainda tenha político com projetos de lei que, a priori, já nascem ilegais. A discussão voltará à Câmara e deve ser votada antes do dia 30 de setembro, para que tenha validade para a próxima eleição. Se não retirarem a parte que proíbe, na Internet, opiniões ou “tratamento privilegiado” a qualquer candidato, é porque a insanidade tomou conta geral dos dinossauros. Mas o pior mesmo é que uma lei como essa pode ser apenas o começo de uma censura muito maior à rede. E é isto o que os dinossauros mais querem.&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Publicado originalmente no &lt;a href="http://www.clicrbs.com.br/diariocatarinense/jsp/default2.jsp?uf=2&amp;amp;local=18&amp;amp;source=a2650533.xml&amp;amp;template=3916.dwt&amp;amp;edition=13102&amp;amp;section=1315"&gt;Diário Catarinense&lt;/a&gt;, 12 de setembro de 2009.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38130041-7464775327553440930?l=bloguedobruggemann.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://bloguedobruggemann.blogspot.com/2009/09/contra-censura-na-internet-alguns.html</link><author>fabiobruggemann@gmail.com (Fábio Brüggemann)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>4</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-38130041.post-4503206539416587934</guid><pubDate>Sat, 05 Sep 2009 16:16:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-09-08T07:24:33.157-07:00</atom:updated><title></title><description>&lt;h2 style="text-align: justify;" class="tipo-c"&gt;Educação para o mercado&lt;/h2&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;      &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;As políticas públicas para a educação no Brasil são as piores do mundo. Depois da sacanagem que foi o golpe militar, financiado pelo governo norte-americano, baseado numa política expansionista, neocolonial e, por isso, usurpadora, tudo piorou. No pacote ditatorial veio uma reforma educacional que detonou com as políticas públicas de educação, que, no Brasil dos anos de 1950 ainda eram decentes. A escola pública sempre foi melhor, porque a elite acreditava nela. Só ia para a escola privada o filhinho de papai que se dava mal nas provas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O golpe militar também implantou uma ideologia tacanha, tirando dos cursos básicos o ensino da filosofia e de outras cadeiras das humanas, privilegiando o tecnicismo com vistas exclusivamente ao mercado de trabalho. A lógica capitalista não precisa de gente que pensa, apenas que trabalhe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sendo assim, a reforma do ensino implantou no currículo a educação religiosa (que, no caso, se baseava no ensino dos fundamentos apenas da Igreja Católica, aliada ao golpe), o ensino de moral e cívica (sem nenhuma proposição dialética) e a iniciação para o trabalho. Adeus pensar, viva a lavagem cerebral, esta era a ideia. O pior é que, mesmo com o fim da ditadura, e vivendo hoje num país que se diz democrático, o ensino ainda é excludente, e o que é pior, reacionário, autoritário e formador apenas de mão de obra, não de pensadores e críticos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O costariquenho Vernor Muñoz Villalobos, relator especial da ONU pelo direito à educação, disse textualmente que a educação está em crise, e faz uma avaliação estarrecedora, ainda que óbvia, se prestássemos mais atenção nos detalhes da história. Ele diz: “A educação como sistema surgiu no mesmo momento em que apareceram o sistema penitenciário, as fábricas e os hospitais psiquiátricos. Isso quer dizer que as escolas foram pensadas como uma forma para disciplinar a mão de obra para o mercado”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pior não é constatar isso, pior mesmo é perceber que as empresas, os políticos, os professores, e, por que não, os próprios estudantes, estão com a cabeça tão bem feita desde o golpe militar, que acham que deve ser assim mesmo. Tanto que as escolas privadas já chamam seus alunos de clientes e todos acham normal. Educação não pode ser tratada como negócio, mas, infelizmente, cada vez mais é pensada desse modo.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38130041-4503206539416587934?l=bloguedobruggemann.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://bloguedobruggemann.blogspot.com/2009/09/educacao-para-o-mercado-as-politicas.html</link><author>fabiobruggemann@gmail.com (Fábio Brüggemann)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>2</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-38130041.post-3450230832041182190</guid><pubDate>Sat, 29 Aug 2009 16:06:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-08-29T09:20:44.162-07:00</atom:updated><title></title><description>&lt;h2 style="text-align: justify;" class="tipo-c"&gt;O cheiro das coisas&lt;/h2&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;      &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Coisas, pessoas, épocas, lugares, roupas, fatos, situações, tudo isso tem cheiro. O cheiro que as coisas têm é a máquina do tempo, mas com rumo apenas na direção do passado. Comecei a fumar aos 14 anos, em uma época que por esta idade os meninos já eram mais homens do que são hoje. Aos 11, eu pegava ônibus sozinho, com dinheiro no bolso e contas para pagar, numa cidade que já era metrópole em 1973. E eu lembro bem do cheiro de Curitiba, do cheiro da fumaça da oficina mecânica da Marechal Deodoro, onde, na hora do lanche, comíamos sanduíche de pão d’água com mortadela e tomávamos coca-cola de garrafinha. Não tomo mais coca-cola, mas basta sentir o cheiro, que é como se eu me transportasse para aquela oficina, naquela cidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A fumaça, até uns 11 anos atrás, quando deixei de fumar cigarros, durante muito tempo ocultou de mim estes cheiros. Quando abandonei o cigarro, voltei a Lages, onde nasci, e senti o cheiro da minha infância. O cheiro sempre esteve lá, meu nariz é que estava encoberto pelo odor da nicotina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguns cheiros, mesmo sem cigarros, se perderam para sempre. Por mais que o cheiro do bebê da Ana e do Lui, a doce e temporona Júlia, e o cheiro de quando minha afilhada Dandara era bebê, e já é quase adolescente, sejam apenas cheiro de bebê, nenhum era igual ao cheiro do meu bebê.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O cheiro da cerveja escura que lembra café e chocolate, do brandy no inverno, da fumaça da chaminé do forno à lenha da pizzaria aqui ao lado, que anuncia todos os dias o cheiro da lenha; o cheiro do tabaco, do café quente, dos livros assim que chegam da gráfica, mas também o cheiro da biblioteca e seu pouco de mofo; o cheiro da mata quase extinta; o cheiro de um casaco de lã abandonado, o cheiro de um molho pesto no talharim fresco que acabo de fazer e comer; o cheiro de uma Ilha coberta por aterros por causa do cheiro do dinheiro, que atrai tanta gente; o cheiro do churrasquinho de gato dos jogos de domingo do Internacional de Lages, onde, sem dinheiro para o ingresso, pulávamos o baixo muro. Se palavra tivesse cheiro, a que se pareceria o cheiro da espera? O cheiro faz lembrar, o cheiro faz esquecer, o cheiro, no final das contas, é o que decide.&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: right;"&gt;&lt;a href="http://www.clicrbs.com.br/diariocatarinense/jsp/default2.jsp?uf=2&amp;amp;local=18&amp;amp;source=a2634535.xml&amp;amp;template=3916.dwt&amp;amp;edition=13019&amp;amp;section=1315"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Publicado originalmente no Diário Catarinense, 29 de agosto de 2009&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38130041-3450230832041182190?l=bloguedobruggemann.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://bloguedobruggemann.blogspot.com/2009/08/o-cheiro-das-coisas-coisas-pessoas.html</link><author>fabiobruggemann@gmail.com (Fábio Brüggemann)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>3</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-38130041.post-2203443660336414618</guid><pubDate>Sat, 22 Aug 2009 15:58:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-08-29T09:09:38.928-07:00</atom:updated><title></title><description>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Entre &lt;a href="http://www.clicrbs.com.br/diariocatarinense/jsp/default2.jsp?uf=2&amp;amp;local=18&amp;amp;source=a2627389.xml&amp;amp;template=3898.dwt&amp;amp;edition=12966&amp;amp;section=1323"&gt;aqui &lt;/a&gt;para ler a resenha do livro &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Os melhores poemas de Lindolf Bell&lt;/span&gt;, publicada hoje no Diário Catarinense. Abaixo, alguns videos para ver o poeta declamando.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38130041-2203443660336414618?l=bloguedobruggemann.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://bloguedobruggemann.blogspot.com/2009/08/entre-aqui-para-ler-resenha-fo-livro-os.html</link><author>fabiobruggemann@gmail.com (Fábio Brüggemann)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>1</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-38130041.post-3806271615246876170</guid><pubDate>Sat, 22 Aug 2009 15:53:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-08-22T09:02:35.155-07:00</atom:updated><title></title><description>&lt;h2 style="text-align: justify;" class="tipo-c"&gt;Contradições do adeus&lt;/h2&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;      &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Existem vários modos de dizer adeus, além do mais simples deles que é apenas dizer, com as cinco letras: adeus. Este, porém, poucos têm coragem de encarar. Primeiro, deve haver um motivo muito grave para tal. Uma viagem que se pretende para sempre (ainda que isto não exista de fato), um romance interrompido, ou uma ida até a esquina, porque adeus também quer dizer até logo. Ou, como uma garota muito especial me disse um dia, depois que eu lhe disse adeus (contrariando o fato de que são sempre elas que dizem ): “porque sei que os fins não são mais que recomeços”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As estatísticas do amor, as mesmas ditas por Drummond no Necrológio dos desiludidos do amor – “enquanto as amadas dançarão um samba / bravo, violento, sobre a tumba deles” – mostram que os homens nunca dizem adeus. A despedida, o bota-fora, é sempre prerrogativa feminina. Homens não querem perder, mesmo que ficar seja perder. Talvez seja uma lógica ancestral, atávica, animal. Animais dizem adeus?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A garota, sem querer, criou ao mesmo tempo um paradoxo (o de que as despedidas sempre são recomeços, e, se recomeçam é porque não têm fim) e um novo paradigma (o de que os homens também sabem dizer adeus). Mas não dizem, e quando dizem, logo desdizem. Para que dizer adeus quando não se quer partir?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E quando é preciso dar fim a uma coisa que nunca teve um começo? E quando dizer adeus não significa nada, porque nada existia para que alguém tivesse que dizer adeus? Talvez seja um problema filosófico dos mais importantes hoje, quase como separar-se sem nunca ter estado junto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dizer e não dizer não significa nada. Ficar ou dizer adeus, nesse caso, também. Tudo flui, nenhum dia é igual ao outro, mas por que parece ser? Não sei dizer adeus, mesmo que todos os dias pareçam ser o último. Só não sei dizer último em relação ao quê. Tanto pode ser em relação ao último grão de arroz do melhor risoto, quanto pode ser a última mensagem de socorro enviada pelo comandante de um navio que afunda muito devagar. O melhor do adeus é descobrir que nada vai, exatamente do mesmo modo que nada fica.&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: right;"&gt;&lt;a href="http://www.clicrbs.com.br/diariocatarinense/jsp/default2.jsp?uf=2&amp;amp;local=18&amp;amp;source=a2626546.xml&amp;amp;template=3916.dwt&amp;amp;edition=12966&amp;amp;section=1315"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Diário Catarinense, 22 de agosto de 2009&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38130041-3806271615246876170?l=bloguedobruggemann.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://bloguedobruggemann.blogspot.com/2009/08/contradicoes-do-adeus-existem-varios.html</link><author>fabiobruggemann@gmail.com (Fábio Brüggemann)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>4</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-38130041.post-1311360948594480600</guid><pubDate>Sat, 15 Aug 2009 15:55:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-08-15T09:26:55.900-07:00</atom:updated><title></title><description>&lt;h2 style="text-align: justify;" class="tipo-c"&gt;Viver para contá-la&lt;/h2&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;      &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;A epígrafe do livro &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Viver para contar&lt;/span&gt;, do colombiano Gabriel García Marquez, anuncia: “A vida não é a que a gente viveu, e sim a que a gente recorda, e como recorda para contá-la”. Mesmo que seja algo que preenche a existência, o presente é tão fugaz, que mal conseguimos detectar onde reside. Sabemos o que é, mas não conseguimos segurá-lo, brecá-lo no tempo. O primeiro “A” deste texto já é passado, já está escrito, já foi contado. Ele permanece apenas como a sensação de um presente, mas já era. Somos seres forjados pela memória e pela contradição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O presente, por mais que seja esse fluir constante, avançando ao futuro, é a única coisa que resta. Pensar demais no futuro é quase como não viver. Se apegar ao passado também. Carpe diem era a senha escrita, e hoje cada vez mais urgente. Mas não existe maneira de perder tempo. Qualquer coisa que façamos, estamos vivendo. Se não do modo como gostaríamos, não é por culpa do tempo. Por que sempre queremos fazer algo que não está ao alcance imediato? Por que “perdemos tempo” tentando fazer coisas para que nos levem àquilo que queremos apenas no futuro?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escrever, se levarmos a ideia de “perder tempo” a sério, é o ato que mais faz um sujeito perder tempo. Afinal, para escrever, é preciso deixar de viver. Seria o ato de escrever o mesmo que viver? Para escrever é preciso lembrar. Do que me lembro? O que vale a pena lembrar? Por que interessaria ao outro um ínfimo de instante do que vivi? Por que leio tanto sobre os outros? Ler é viver? Se sim, o mundo é apenas uma sensação. Dormir, talvez sonhar, dizia Hamlet. Que diferença há entre o sono e a vigília se muitas vezes o que sonho, dormindo ou acordado, é tão intenso? De uma intensidade tal. que vai quase além de um fato aparentemente vivido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sonhei com uma casa de dois andares, duas garagens, um carro que nunca encontrei e uma mulher que expulsava todas as outras assim que chegava. Contradizendo tudo o que sempre disse sobre viver apenas o presente, decido esperar. Não sei até agora o que contar disso, nem como contar. Se esperar também é viver, depois eu me viro para contar.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38130041-1311360948594480600?l=bloguedobruggemann.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://bloguedobruggemann.blogspot.com/2009/08/viver-para-conta-la-epigrafe-do-livro.html</link><author>fabiobruggemann@gmail.com (Fábio Brüggemann)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>1</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-38130041.post-4835634183843931911</guid><pubDate>Sat, 08 Aug 2009 15:19:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-08-08T08:20:18.092-07:00</atom:updated><title></title><description>&lt;h2 style="text-align: justify;" class="tipo-c"&gt;Malabaristas de rua&lt;/h2&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;      &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Existe todo tipo de malabarista na rua. Os por opção, os porque não tem ocupação formal, os que pedem esmola, os que vendem flores, os que vendem jornais, os que carregam bandeira de partido (quase sempre porque precisam) e os que, como eu, adoram estar na rua, não fazer nada na rua., mas, do meu modo, me equilibrando na rua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A medida da prefeitura de proibir alguém de estar na rua, fazendo o que quer que seja, é um atentado contra as liberdades individuais, e, por consequência, contra a democracia. Se o poder público quer mesmo resolver problemas urbanos, deve pensar primeiro nos problemas sociais. Depois, pensar num modo de criar uma infraestutura urbana na qual o uso do transporte público seja privilegiado em relação ao privado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além do mais, proibir um cidadão de se manifestar, seja ele de que forma for, é abrir uma brecha para o poder público proibir qualquer manifestação no futuro. Hoje são os malabaristas, amanhã os pedintes, depois de amanhã, caro cidadão, será sua vez de ser proibido, porque a ideia do poder público é sempre a de jogar para debaixo do tapete os problemas reais. No caso dessa cidade, com certeza, as mazelas urbanas não passam pela presença dos malabaristas nos sinais, mas sim pela crescente violência, pela ocupação irregular dos espaços públicos, pela destruição do patrimônio cultural e natural, enfim, pela falta de educação pública de qualidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além de ser segregacionista, porque não pune outro tipo de manifestação (e os vendedores de flores, os pedintes, os vendedores de jornais, os que oferecem água?), a medida é totalmente inconstitucional, porque fere até a medula o direito de ir e vir de um cidadão, seja ele fazendo malabarismos, seja ele gritando fora Sarney ou seja ele dando vivas (como faço quando posso) ao passe livre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou um malabarista de rua entre a multidão de automóveis e motocicletas, e exijo a imediata ocupação das ruas por pessoas no lugar dos automóveis cada vez mais homicidas. Eles já estão tomando nosso lugar nas calçadas. Nada mais justo que nós, malabaristas, ocupemos o lugar deles nas ruas, para exercermos nosso direito fundamental de viver nessa incrível arte de andar por um fio.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38130041-4835634183843931911?l=bloguedobruggemann.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://bloguedobruggemann.blogspot.com/2009/08/malabaristas-de-rua-existe-todo-tipo-de.html</link><author>fabiobruggemann@gmail.com (Fábio Brüggemann)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>12</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-38130041.post-6375394497757124917</guid><pubDate>Sat, 01 Aug 2009 19:03:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-08-01T12:03:46.188-07:00</atom:updated><title></title><description>&lt;h2 style="text-align: justify;" class="tipo-c"&gt;Uma garota indignada&lt;/h2&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;      &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Convidado pelos escritores e amigos Salim Miguel e Flávio José Cardozo, escrevi um conto para a coletânea 13 Cascaes, cujo mote deveria ser o folclorista Franklin Cascaes. O livro, publicado pela Fundação homônima, já é um dos mais vendidos, por conta de ter sido indicado para o vestibular da UFSC. Nessa semana, participei, junto com os escritores e também amigos Adolfo Boos Jr. e Olsen Jr., de um debate na Casa da Memória com alunos de terceiro ano de uma escola privada. À certa altura, a conversa girou em torno da enorme sacanagem que estão fazendo com a Ilha de Nossa Senhora dos Aterros, principalmente em questão ao seu patrimônio histórico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acontece que os últimos 20 anos foram desprovidos de dirigentes públicos minimamente atentos no que se refere às políticas públicas para a cultura. Deu no que deu. O aterro do Burle Marx (paisagista que neste mês completaria 100 anos) virou um garajão. Assistimos a prédios e mais prédios históricos, literalmente, serem tombados ao chão, em troca de uma arquitetura de última qualidade. Os apelos para que a cidade tenha um fundo municipal de cultura, editais democráticos, um plano diretor razoável, a nada disso os políticos dão ouvidos. Pelo contrário, o prefeito acha que progresso é fazer viaduto e o governador acredita que cultura, turismo e esporte devem estar na mesma secretaria. Desse modo, sobra confusão, até mesmo por parte de quem concorda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso, no debate, uma garota ficou decepcionadíssima e indignada porque eu disse que detestava o epíteto Ilha da Magia, atribuído à cidade. Eu disse que com magia ninguém resolve nada, mas sim com razão. Ela atribui a magia à natureza, e não a esse estado metafísico no qual as coisas pretensamente se resolvem com passes de mágica. No fundo, tanto eu quanto ela defendemos a mesma coisa. E eu gostei muito da indignação dela, que deveria se voltar contra as autoridades, porque são elas que se lixam pela preservação deste patrimônio riquíssimo. Em breve, se continuarmos com essa lengalenga e não usarmos a inteligência, viveremos numa cidade como outra qualquer, sem a magia da natureza manifestada pela garota indignada, e com toda a razão.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38130041-6375394497757124917?l=bloguedobruggemann.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://bloguedobruggemann.blogspot.com/2009/08/uma-garota-indignada-convidado-pelos.html</link><author>fabiobruggemann@gmail.com (Fábio Brüggemann)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>3</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-38130041.post-1450321025992802890</guid><pubDate>Sat, 25 Jul 2009 14:13:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-07-25T07:13:39.285-07:00</atom:updated><title></title><description>&lt;h2 style="text-align: justify;" class="tipo-c"&gt;A gênese do meu ceticismo&lt;/h2&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;      &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;A primeira vez que vi um televisor eu tinha sete anos. E a coisa não era das mais interessantes. A tevê já nasceu chata. Lembro muito bem (e nem tinha comerciais) que a imagem era quase fixa, em preto e branco, e um cara com voz de pato falava uma língua que eu nem sabia da existência. A minha avó explicou, não sem ter sua própria dúvida, que era o homem pousando na lua. Olhei para a lua, mas não havia homem nenhum. Nascia ali a dúvida, baseada no fato de que só existe aquilo que posso ver. Devo à minha avó a gênese do meu ceticismo. Duvido, por conta disso, até mesmo da minha própria existência, e a cada vez que entro numa aeronave (pra imitar o bom mocismo das tripulações) duvido que vá levantar voo. E no entanto, ela sobe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A dúvida, essa que faz a gente coçar a cabeça e fazer cara de retorcido, é talvez o nosso maior patrimônio individual. A dúvida é o que nos faz únicos, mais até do que nossas impressões digitais, porque não está exposta, não se perpetua, ela é mutável, mutante. A dúvida existe até o momento em que uma única pergunta é respondida. A fé não admite perguntas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mais intrigante da dúvida é que as coisas acontecem independentemente das crenças ou descrenças. Não adiantam todos os argumentos a favor ou contra a ideia de Deus, por exemplo. É possível crer no terreno do vago, pois até mesmo o mais brilhante argumento pela crença é abstrato, como defende Santo Agostinho: “Creio porque é absurdo”. Do mesmo modo, a dúvida também. Nestas comemorações dos 40 anos da suposta (sentiram o ceticismo?) viagem à lua, existem várias evidências de que o fato aconteceu. Mas também são inúmeras as dúvidas suscitadas pelas próprias evidências, no caso as fotos, os filmes, e aquela geringonça chamada módulo lunar, que nem precisou, para voltar à terra, de toda a parafernália que usou para ir à lua. Como? Não sei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só existe invenção onde há dúvida. Entre o ceticismo pueril do garoto de sete anos, e o ceticismo adulto de 40 anos depois, pouca coisa mudou no mundo das ideias. E em se tratando de publicidade, duvidar é sempre mais interessante do que crer. A frase de Santo Agostinho serve também pelo seu oposto. Se posso crer porque é absurdo, por que não posso duvidar pelo mesmo motivo?&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38130041-1450321025992802890?l=bloguedobruggemann.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://bloguedobruggemann.blogspot.com/2009/07/genese-do-meu-ceticismo-primeira-vez.html</link><author>fabiobruggemann@gmail.com (Fábio Brüggemann)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>4</thr:total></item></channel></rss>