7 de março de 2009

Democracia eletrônica?

Sempre desconfiei da urna eletrônica. Este ufanismo meio besta (como todo ufanismo o é) de quem diz ser o voto eletrônico um avanço tecnológico que inclui o País na ponta da democracia é bastante duvidoso. Minha desconfiança se dá por comparação. No Japão, um dos países onde mais se investe em tecnologia de programas para computadores, a eleição é feita no papel, com voto contado, um a um. Nos Estados Unidos, país da Microsoft e de Bill Gates, a eleição também é no papel e na caneta.

Me pergunto: que motivos estes países, tão avançados nessa área, teriam para duvidar do voto eletrônico? Logo eles? Seria o Brasil tão mais avançado que ele? Ou seria o Brasil tão mais apressado que os outros? Não sei, não sei, estou apenas, como um ignorante que sou em informática, perguntando.

Pois uma recente decisão do Tribunal Constitucional Federal Alemão determinou que o uso de computadores no processo eleitoral de 2005 no país foi inconstitucional. O motivo pelo qual o tribunal julgou a inconstitucionalidade do processo chega a ser poético, muito mais que a minha duvidazinha tecnológica. O juiz Andreas Vosskuhle alega que a democracia pressupõe, antes de mais nada, o princípio do controle público não só do voto, mas de todas as ações públicas. E numa contagem eletrônica, segundo Vosskuhle, o desconhecimento do processo (tal e qual minha ignorância) é considerado como sendo antidemocrático.

Para a corte alemã, num “evento público”, como a eleição, qualquer cidadão deve dispor de meios para conferir a contagem de votos e a regularidade do decorrer do pleito, sem possuir, para isso, conhecimentos especiais. Quando era usado papel, no Brasil, qualquer um poderia conferir e reconferir o voto. Tudo bem que era sujeito à sacanagens de todo tipo, mas todos tinham acesso a elas. Pelo lógica do juiz alemão, no voto eletrônico, pouquíssimos têm acesso a elas.

Na urna eletrônica tanto eu, quanto a maioria dos ignorantes em informática deste imenso país podem ser usurpados de seu voto. Mas este é apenas mais um argumento que a corte alemã acaba de me presentear. Continuo mesmo é pensando no Japão e nos Estados Unidos. Por que será que eles insistem em contar o voto manualmente? São mesmo uns atrasados e ignorantes, coitados.

4 comentários:

Victor da Rosa disse...

votei muito ruim só pra destoar do consenso, como aprendi, mas ficou ótimo.

Fábio Brüggemann disse...

é daquela banda só pra contrariar.

Cor de Rosa e Carvão disse...

oi brüggemann. vim conhecer um pouco de ti. indicação da professora Lia, de Videira, que é mentora do projeto Encontro Marcado. gostei! simples e pretensioso ao mesmo tempo, hehehe.

sobre este post, único lido até agora, achei interessantíssimo a jusfiticativa alemã. sobre os EUA e o Japão pouco me importa, dar tanta importância ao que acham ou deixam de achar. sim. sou de esquerda. um pouco muito ignorante, um pouco pensante. mesmo assim tu plantaste a dúvida. por que será que eles insistem em contar os votos manualmente? talvez seja pela complexidade, aos meus olhos, do processo eleitoral dos EUA. No Japão deve ser monarquia. Se ainda for, pra que voto eletrônico? hehehe. tá, tá... parei!

então pai da Luna, te espero aqui na cidade, para bombartear-te com perguntas inofensivas e sem fundamento, ou não! mas que venha mesmo assim. irás gostar. afinal, já pré-julgando, mas sem ofensas (desde o início), todo escritor gosta...

boa noite.s

Fábio Brüggemann disse...

oi cor de rosa, em maio estarei aí. pronto pra responder qualquer provocação. abraço.