4 de abril de 2009

A quem os deputados defendem?

A aprovação absurda do código ambiental no começo desta semana, pelos deputados estaduais, teve, de um lado, os defensores, o governo e os agricultores e donos de terra, e, de outro, os ambientalistas. A população, no geral, esteve apática, como se nada disso tivesse a ver com ela. Talvez tenha sido este o grande problema. Os agricultores afirmam que a atual legislação federal os impede de plantar mais e de cortar mais árvores para plantar mais. A distância das margens dos rios para uso e plantio, cujo código brasileiro diz que deve ser de 30 metros, passou para cinco no código estadual. O impacto, até um bebê sabe disto, será tremendo. Os agricultores e donos de terra têm interesses pessoais, que é o de ampliar sua capacidade de produção. Mas precisamos saber que estes interesses prejudicam essencialmente o meio ambiente, mesmo que a produção seja ampliada.

É preciso que nós, que não somos donos de terras, mas consumidores desta produção dos donos de terra, escolhamos entre um futuro sem desastres ambientais ou um pouco mais de comida na mesa. A produção ostensiva de suínos no Oeste catarinense, por exemplo, é uma das maiores poluidoras da região. O que você prefere? Comer mais porco ou ter uma vida melhor? Você quer comer mais maçãs ou ter sua casa destruída pela enchente ou não ter água para beber no futuro? Estas eram as perguntas que os deputados deveriam ter feito antes de ter votado. A aprovação do novo código, além de inconstitucional, é um desastre maior do que o ocorrido no final de 2008, escreveu, na Folha de S. Paulo, a ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva. Sem contar que Santa Catarina já sustenta o título de campeã nacional de desmatamento dos remanescentes da Mata Atlântica.

Precisamos mudar radicalmente nossa postura diante da ocupação violenta da natureza, e ela passa também pelo apoio a todas as medidas, mesmo as radicais, a favor do meio ambiente, ou deixaremos a nossos filhos um enorme rastro de desastres, rios sujos, furacões, mais e mais enchentes, mais deslizamentos e, quem sabe, um belo deserto. Para quem se pretende ser um Estado turístico, nada mal começar destruindo aquilo que o turista vem buscar aqui, a natureza. Os nobres deputados catarinenses, incluindo os que se vergonhosamente se abstiveram, mostraram ao resto do país que Santa Catarina é um Estado muito pobre e muito tacanho mesmo no que diz respeito ao meio ambiente. A quem eles defenderam mesmo?

Diário Catarinense, 4 de abril de 2009

7 comentários:

bido disse...

Pelas barbas de Netuno!!!!
A ignogância não tem fim. Que merda!

Priscila Lopes disse...

APOIADO.

Tenho vergonha pelo povo no quesito Natureza, em todas as áreas: animais abandanados aos montes - torturados - embalagens pelas ruas, lixo lixo lixo pela janela, caindo, voando, escorregando das mãos das pessoas.

Credo.

Raphael Rocha Lopes disse...

Nem tanto ao mar, nem tanto à terra. O Estado de Santa Catarina, apesar do que dizem por aí, é o que ainda tem o maior percentual de matas dentre todos os da ferederação. A realidade estadual também diverge da nacional no quesito economia: temos mais de 80% de pequenos produtores, enquanto nos outros estados temos alguns poucos latifundiários. Dez ou vinte metros ao longo dos rios, considerando ainda nossa geografia bastante acidentada, pode ser a diferença entre o êxodo rural em massa, culminando com o desemprego nas cidades ou condições sub-humanas de sobrevivência, que no final levam à violência, como todos sabemos, e um projeto de agropecuário que se sustente por tempo indefinido.
Entretanto, concordo que faltou à população uma preocupação e um interesse maiores, porque debates houve.

André disse...

Fábio, me perdoe, mas parece que tu não leu nada sobre o código, não participou de nenhuma audiência e não conversou com os afetados.
Todos os deputados(40) foram favoráveis, isso não é relevante?. Tu não pode simplesmente dizer que a distância passou de 30 pra 5, é mentira, tem regularidades para que isso aconteça, jogar no vento é fácil. Tu acho que a Amazônia é como SC? Nosso país é muito grande e deferente, até no sotaque.
Acho que é necessário o equilíbrio, preservar e produzir, e como estava seria impossível, alguns municípios deixariam de existir, literalmente.
O rio é poluído aqui, na cidade.
O alimento que todos consomem existe graças aquela pequena família que planta o alface, o tomate, e com o código de Brasília isso seria impossível, é só tu ler a lei. Por fim, se a democracia não deve ser respeitada, então que cada um faça do seu jeito. A maioria esmagadora da população catarinense disse que precisaria mexer neste código, e vamos falar o que? Aliás, acho que muitas coisas que acontece lá, muitas ordens de lá, deveriam acontecer aqui, onde vivem as pessoas, nas cidades. Vai visitar um agricultor, vai ver o que eles passam, vivem pior que nas favelas, ninguém quer saber deles.
O Brasil sempre será salvo de distúrbios econômicos, e a nossa agricultura sempre salvará.

André disse...

continuando...Fábio, na antiga lei, em cidades como Bom Jardim da Serra, Urubici, seriam inviabilizadas? Na lei do Conama (órgão ligado as grandes ONGs internacionais), as cidades com mais de 850 metros, os chamados Campos de Altitudes, seriam seriamente afetadas, será que isso está certo?
Não estou dizendo que este novo código está maravilhoso, também tenho medo e acho que o negócio é evoluir e fiscalizar, mas da maneira como estava, acredite, inviabilizava.
Aqui do lado, na cidade de São Pedro, onde só existe pequenos agricultores, vários teriam que largar a agricultura (sua sobrevivência) porque estão em topos de morros, etc. Lá as propriedades não tem 30 metros de largura e com um riacho do lado, o que vamos fazer, expulsá-los? São Eles quem poluem? Tudo bem, tem interesses maiores, acredito, mas a maioria são os pequenos.
Agora, acho que os Estado tem que ter mais autonomia em tudo, saúde, cultura, educação, etc. Aliás, melhor ainda se fosse os municípios, onde vivemos.

Anônimo disse...

Fábio me perdoe a indelicadeza, mas este André não sabe o que está dizendo. Pode até querer defender o agricultor, mas como não sabe fazê-lo, usa o discurso do LHS e seus seguidores. Este é daqueles que só está interessado na privatização do lucro e a desgraça e poluição que sejam socializadas com a população.
Dizer que o CONAMA é ligado a ONGs internacionais é idiotice, falta de informação. O LHS também tentou desqualificá-lo qdo pediu a Ministra Marina que o extinguisse (O CONAMA queira ou não os depredadores ambientais é o Conselho mais importante da República). Senhor André, por favor, acesse o site do MMA que conhecerá a composição do CONAMA, sua independência e soberania.

André disse...

Tá bom, Conama é algo sério, como o congresso nacional.
Eu quero que o governador vá pra qualquer lugar, estou falando dos agricultores. O novo código está sendo discutido desde 2004. Tu já leu os artigos?
Acho que você é que tem problema com LHS, o meu problema é de como vocês estão colocando o novo código para a sociedade, sem o real diagnóstico. E na hora de comer, tu pensa assim, sr anônimo??